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Nômade digi-o-quê?

 

Na primeira vez que ouvi falar as palavras “nômade” e “digital” juntas eu estava sentado no sofá depois do almoço, curtindo uma tarde qualquer de sábado, assistindo ao maravilhoso e nada confortável Canal Off. Se você, como eu, já se pegou assistindo o Off nessas circunstâncias, das duas uma: ou ficou com raiva da própria vida por não estar vivendo as aventuras cheias de significado que a galera do Off está, ou se encheu de vontade de sair do sistema e fazer a sua própria aventura. Eu fiquei inconformado pela minha realidade e inspirado, ao mesmo tempo.

Pesquisa, pesquisa, pesquisa

Dali pra eu estar abrindo 37 abas no meu navegador, havido a entender como funciona a vida nômade, buscando referências e inspirações sobre como viajar o mundo e trabalhar ao mesmo tempo, foi um pulo – literalmente, um pulo do sofá pra mesa.
Já alguns meses depois eu já tinha me munido de informação suficiente e era hora de colocar o meu plano nômade em ação. Já tinha descoberto que a minha profissão é perfeita para que eu me torne um nômade: Como um profissional criativo, na área do marketing digital, eu só preciso de um computador e internet para trabalhar. Foi como uma luva.
Em breve eu conto mais sobre como foi o meu processo até a decisão de ligar o nomadismo – Eu estava me preparando a vida toda e nem tinha percebido.

A minha não é a única profissão que pode ser exercida em nomadismo. Contudo trabalhar em nomadismo requer um nível de renúncia, minimalismo, auto-conhecimento e força de vontade que só é possível com planejamento de longo prazo.

Juan de AlcantaraAgência Vínce

O WorldPackers – Onde achei meu primeiro host

Na pesquisa pós canal off, eu descobri uma plataforma maravilhosa – o Worldpackers. Dentro desse site, criado e gerenciado por brasileiros, é possível encontrar vários lugares ao redor do mundo (hostes, hotéis, agências, comércios…) que precisam de pessoas, como eu e você, para ajudar a resolver algum problema. O fluxo funciona mais ou menos assim:
  • Você se cadastra no site www.worldpackers.com (dá pra explorar a ferramenta no plano gratuito de boa)
  • Encontra um anfitrião que tenha a ver com você, (no meu caso eu queria oferecer meus serviços de marketing digital em troca da experiência de conhecer um lugar novo)
  • Entra em contato com o anfitrião com uma mensagem sobre o que você pode oferecer
  • Torce para dar match!
Tem muita informação legal no Blog do WP, que você pode conferir aqui
Foi nesse processo que eu descobri uma infinitude de gente com o mesmo sonho que eu. Fui seguindo um monte de perfis no Instagram, assisti a vários vídeos de pessoas inspiradoras que estão vivendo seus sonhos. Foi nesse ponto que eu entrei em contato com a Economia Colaborativa, e precisamos falar sobre ela antes de continuar:

Economia Colaborativa

Nossa civilização inteira sempre foi baseada em relações interpessoais – somos seres sociais. Hoje, debaixo do guarda-chuva do capitalismo, é muito mais fácil ver o outro como um número do que como o ser humano completo que ele é. As relações entre pessoas se tornaram relações comerciais, monetárias. O ser humano foi reduzido a um cifrão.
A economia colaborativa é fruto da necessidade de conscientização do consumo de uma sociedade jovem, cada vez mais acesa e fervilhante. A ideia é que não se deve buscar o lucro a todo custo, com foco no impacto social que este comportamento causa.

É muito mais que só o canudinho de plástico

De uma sopa borbulhante de ideias vanguardistas: consumo sustentável, reciclagem de bens, diminuição de resíduos e de impacto na natureza, diminuição do uso de combustíveis fósseis, a preocupação com o destino das embalagens… surge a economia colaborativa, a síntese do pensamento que o consumo pode ser praticado através da partilha de recursos humanos e físicos. O acúmulo de bens dá lugar ao compartilhamento de conhecimentos e produtos. As pessoas mantêm seu estilo de vida, sem precisar consumir mais de forma inconsequente.

A minha moeda de troca

Como criativo, empreendedor, apaixonado por tecnologia e provedor de soluções para empresas que procuram se estabelecer no mundo digital de forma sustentável e inovadora, eu consegui vislumbrar na economia colaborativa uma forma de colocar o meu sonho em prática.
“Um computador e internet” ecoava na minha cabeça. Era só do que eu precisava para gerar valor em qualquer lugar do mundo. Ficou claro pra mim que a minha moeda de troca era exatamente o trabalho que eu estava desenvolvendo diariamente. Estava com a mochila cheia de tickets, prontos para serem trocados por experiências incríveis no mundo inteiro através da economia colaborativa.

Pra onde ir?

Pra quem quer conhecer o mundo todo, escolher o primeiro destino não é tarefa simples. Alguns limitantes são: falta de dinheiro e insegurança. Pra dar um spoiler, eu tinha os dois. O movimento mais inteligente era ir para algum lugar próximo de onde eu morava, fazer um teste, um projeto nômade piloto.
Depois de selecionar os melhores anfitriões dentro da Worldpackers, enviar algumas mensagens, receber algumas respostas, eu cheguei em um lugar maravilhoso, próximo da minha casa, com anfitriões muito queridos e o mais importante: eles precisavam dos meus tickets! Aquela repaginada na identidade visual que eu adoro dar, dicas de marketing digital, redes sociais… era só marcar a data e dar o meu primeiro passo nômade.

Tiradentes – a cidade histórica amis charmosa de Minar

Na hora de decidir para onde ir eu tinha somente duas necessidades básicas – uma cidade que fosse próxima da minha querida Belo Horizonte, e um lugar no qual eu pudesse investir pouco dinheiro para viver minha primeira experiência nômade. A decisão ficou muito mais fácil quando eu bati o olho nas fotos da pacata e religiosa Tiradentes, cidade histórica de Minas Gerais.
Tiradentes é uma das cidades parte do centro histórico de Minas. Quem já teve o privilégio de visitar a cidade sabe de duas coisas: ela é pequena e encantadora. Com aproximadamente 7 mil habitantes, a cidadezinha tipicamente mineira é recanto de história, gastronomia, artesanato, cultura, ecoturismo e principalmente tranqüilidade (exceto quando você está na cidade e está rolando o Xterra, uma competição que reúne atletas do mundo todo em competições insanas).

O hostel Tiradentes

Tiradentes é acima de tudo uma cidade turística. Com suas quase 300 pousadas e hotéis, tem lugar todos os tipos de viajantes – desde os que viajam em grupo com tudo pago por empresas multinacionais, até os que procuram lugares com o preço mais em conta, a procura de uma experiência mais humana. Para este tipo de viajante, o lugar mais aconchegante, com os anfitriões mais atenciosos é sem dúvida o Hostel Tiradentes.
O Hostel Tiradentes é um lugar maravilhoso – localizado bem aos pés da Serra de São José, a casa é abrigo para os viajantes que procuram uma proximidade com a natureza, com direito a piscina e passeio ecológico pelas lindas cachoeiras da serra.
Saí de BH no fim da tarde. Dada a proximidade da cidade histórica eu levei somente algumas horas para chegar lá, de ônibus. Depois de uma passada rápida na rodoviária de São João Del Rey, cidade vizinha à Tiradentes, eu peguei um ônibus municipal rumo ao Hostel. Já era início da noite quando desci no ponto de ônibus no centro da cidade – a brisa fria e acolhedora era indício de que a minha experiência naquele lugar seria maravilhosa.

Os Anfitriões – Otávio e Camila

Otávio e Camila, o casal de anfitriões que gerencia do Hostel Tiradentes, foram extremamente acolhedores. Depois de uma reunião rápida eu fiquei conhecendo a casa, os quartos (escolhi minha cama na beliche de cima), conheci os outros anfitriões da casa – Papito e Pazuzu, os pets mais fofos e deboas que você poderá encontrar pelas redondezas.
Depois do tour pela casa e as instalações, que são simples mas aconchegantes e convidativas, eles me contaram sobre um dos principais problemas que o Hostel enfrentava: A marca era antiga e a comunicação nas Redes Sociais pouco efetiva. Conversamos um pouco e eu fui logo dormir, cansado da viagem. “Amanhã o dia vai ser longo e cheio de experiências para viver” eu pensava.
O primeiro dia no Hostel começou com sons que não são nada comuns na cidade – Grilos, passarinhos, galos cantando. A natureza entrou no quarto e me acordou para talvez a tarefa mais importante que eu teria em Tiradentes: ajudar o Otávio e a Camila a dar uma repaginada na marca do Hostel, além da comunicação com os hóspedes nas Redes Sociais.
A cidade era linda, o ar puro e o café do Otávio maravilhoso, mas era hora de tratar de negócios.

Juan Víncenth de Alcantara

Author Juan Víncenth de Alcantara

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